A história mais triste

CRÔNICAS

1/5/20261 min read

Uma mulher que confunde dor com amor.
Um homem que confunde poder com masculinidade. Esta é a história de Maria e João da Silva.

A história mais triste

Entre tantos seres desse Universo intenso e infinito, eu fui escolhida para contar essa história: a triste história de Maria e João da Silva.

Maria trabalhava... João vivia.

Maria apanhava... João batia.

Maria chorava... João sorria.

Maria não era nada... João era homem.

Quantos apertos no peito são necessários para que, finalmente, se morra de amor? Amor? Sim, Maria acreditava que o que ela vivia com João era amor, afinal, dois filhos não poderiam ser fruto de outro sentimento.

Maria amava... João traía.

Maria se entregava... João mentia.

Tudo que ela fazia era insuficiente e ele se aprazia em apontar qualquer deslize.

— Maria, Maria... qualquer hora te arrebento até a morte. Qualquer hora te levo para ver Deus! — dizia ele.

Pobre homem, pobre mulher... não reconheceriam o amor nem se caso ele lhe batesse à porta de casa.

Maria ficara tuberculosa e não havia quem cuidasse dela ou dos filhos. João manteve-se indiferente, como se a doença não lhe dissesse respeito. A tosse persistente, o cansaço e a magreza extrema debilitava de vez a mulher e, bruscamente, a morte chegou, deixando duas crianças órfãs.

O conselho tutelar levou os filhos consigo, separando-os em abrigos diferentes, sem despedidas.

E o João da Silva? Continuou sendo homem, enquanto Maria continuou sendo nada.

Maríllia Albuquerque

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