A pasta verde

CRÔNICAS

10/25/20222 min read

A primeira crônica que escrevi revelou o que eu ainda não sabia: eu tinha, sim, algo a dizer.

Aqui estou num fim de tarde, no metrô, esperando minha vez de saltar. No Chat GPT, pesquiso quando surgiram as pastas. Sim, eu sou aficionado por pastas, mas não quaisquer pastas, apenas as verdes. Não faz muito tempo que desenvolvi o entusiasmo por esse objeto, mas desde então, coleciono das mais simples às mais sofisticadas pastas verdes. É fato que com o avanço da tecnologia mais pessoas têm substituído pastas físicas por pastas digitais, mas não eu.

Você sabia que apenas no século XIX surgiram as pastas? Sim, essas pastas que usamos no dia a dia e que pouco valorizamos sua utilidade foram criadas por um francês chamado Louis Robert em 1801. Quando surgiu, a pasta era um sistema de arquivo de documentos muito moderno e popularizou-se depois que um escritório americano adotou esse prático e inovador sistema de arquivamento.

Eu sei que você está se perguntando: por que verde? Por que não lilás, ou amarelo, ou azul (a cor preferida da humanidade segundo estudos da psicologia das cores)? Porque verde é neutro, é natural, é a cor da vida. Não dá para negligenciar a cor da vida, não é mesmo? Assim como não conseguimos negligenciar a cor preta, ligada à morte... Talvez possamos abordar o preto em uma próxima oportunidade. Voltemos ao verde. Voltemos à vida.

Salto do metrô e continuo divagando e pensando na coleção de pastas verdes que me aguarda em casa. Imaginando com certa ansiedade nosso reencontro após horas afastados. Pego minha mochila e sigo em direção a minha casa. Sou estudante de Letras em uma das maiores universidades públicas do país e, como tal, meus recursos financeiros são escassos. Moro numa modesta república para estudantes que, diferentes de mim, se deixaram atrair pelas pastas ridiculamente sem graça do computador.

Chego em casa, lavo minhas mãos e meu rosto impregnados de sujeira e com sinais de cansaço de quem andou de metrô e passou horas do dia estudando e trabalhando. Então penso: como mereço um banho! Apesar de estar ansioso para rever minhas pastas, preciso estar devidamente preparado para tal. Finalmente, chega o momento, não há nada para atrapalhar. Diante da minha coleção procuro pela pasta verde que me acompanhava no metrô e lá estava ela, sorrindo para as outras, feliz por ter sido útil e voltado para seu lugar para descansar. Agradeço o senhor Louis pela criação e durmo em paz.

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