Brasil ferido
POEMAS


“Brasil ferido” fala sobre a divisão política que tem separado pessoas no nosso país. Entre direita e esquerda, gritos e discussões, o diálogo vai desaparecendo e quem sofre é o próprio povo. O poema convida a pensar com mais calma, lembrar da nossa humanidade e colocar o respeito acima das brigas. Uma leitura simples, atual e que faz refletir.
Brasil ferido
Entre a direita e a esquerda, um país cindido,
Os braços fortes se afastam em repulsão.
O Brasil, belo e bravio, fica no meio, ferido,
Pedindo menos grito e mais coração.
De um lado, bandeiras batendo em brados,
Do outro, punhos fechados em proteção.
Palavras pesam, provocam, puxam passados,
E o diálogo some na multidão.
Somos filhos do mesmo solo sofrido,
Da mesma nação, da mesma canção.
Mas as siglas se tornam sentença e juízo
Separando pessoas, silenciando a razão.
Na saliva que salta dos xingamentos
Perde-se o ponto, perde-se o porquê.
O povo, pequeno perante os questionamentos,
Paga o preço de não se reconhecer.
Direita e esquerda, linhas no papel,
Não deveriam ser muros no viver.
Pois antes do voto, da voz, do véu
Há um ser humano tentando sobreviver.
Que o Brasil aprenda, paciente e possível,
A trocar o ataque pelo abraço plural.
Porque sem escuta, sem um homem sensível
Nenhum lado constrói um futuro real.
Que o brasileiro pare, pense, pese pelo bem da nação
Antes de ferir por prazer ou razão.
O amor político que divide e endurece é mera contradição.
Maríllia Albuquerque
03/02/2026